Dilma e primeiro-ministro do Japão fecham parcerias entre os dois países

Em quase uma hora e meia de reunião, na manhã desta sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff e o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, fecharam uma parceria estratégica global e participaram da assinatura de nove atos em áreas como petróleo, saúde, ciência e tecnologia, mineração, indústria naval e agricultura. No discurso, a presidente destacou os dados do comércio bilateral, a importação de carne suína brasileira, mas pediu a liberação da carne bovina termo-processada do Brasil pelo Japão.

Pela celebração, em 2015, dos 120 anos do estabelecimento das relações democráticas, acordamos elevá-las ao nível de parceria estratégica global. Essa iniciativa contribuirá para intensificar os contatos de alto nível políticos e econômicos entre o Brasil e o Japão_ disse a presidente. No ano passado, o comércio entre os dois países foi de R$ 25 bilhões. A presidente defendeu a ampliação e a diversificação do comércio, especialmente das exportações brasileiras ainda muito concentradas em produtos básicos.

Agradeci a abertura do mercado japonês para nossas exportações de carne suína de Santa Catarina, em 2013, e manifestei a expectativa de que o Japão suspenda o embargo à carne bovina termoprocessada do Brasil- disse Dilma. O primeiro-ministro afirmou que os dois países compartilham do mesmo sonho e que o Brasil é um mercado de oportunidades, nas áreas de energia, petróleo e consumo, o que tem "despertado o interesse das empresas japonesas". Abe disse que espera ampliar as relações entre Brasil e Japão na iniciativa privada e no setor público.

Entre os atos assinados está o acordo entre a Petrobras, a Nippon Export and Investment Insurance (NEXI) e o Banco Mizuho para financiamento da construção de oito cascos de navio-plataforma no Brasil, no total de US$ 500 milhões, para exploração de petróleo em alto-mar. Na área agrícola, foi acordado o financiamento de US$ 200 milhões para projetos agrícolas de soja, milho e outros grãos entre a Amaggi Exportação e Importação, a NEXI e a Sumitomo Mitsui Banking Corporation.

Dilma afirmou que é tradicional a presença de empresas japonesas no Brasil, nas áreas de agricultura, mineração, siderurgia, papel e celulose, eletroeletrônico, automobilística e indústria naval. O estoque de investimento japonês em nosso país é de US$ 32 bilhões. Durante o meu mandato foram US$ 13,7 bilhões, dos quais US$ 2 bilhões nos primeiros seis meses de 2014 - afirmou.

Os dois, segundo a presidente, trataram de temas da agenda internacional, como a crise entre Israel e Palestina, o fortalecimento do G-20 e a reforma da Organização das Nações Unidas (ONU), a segurança cibernética. A presidente voltou a defender a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU. O Brasil pleiteia um assento permanente.

Os vetos de governança nessa área alimentam antigos conflitos de grandes dimensões humanitárias, sem perspectivas de solução. Ao mesmo tempo, destacamos a importância da ONU na resolução de conflitos regionais, como é o caso dos existentes no oriente médio e no leste da Ásia, e a solidariedade do Brasil a toda e qualquer iniciativa que promova a paz em todas as regiões do mundo - afirmou a presidente.

RELAÇÕES DE 120 ANOS

Num discurso após o brinde no almoço no Itamaraty oferecido ao primeiro-ministro do Japão, Shinjo Abe, a presidente Dilma Rousseff exaltou a relação entre os dois países e afirmou que há espaço para novas parcerias entre as duas nações. Em 2015, as relações entre os dois países completam 120 anos. A presidente lembrou da colaboração e da presença dos imigrantes japoneses no Brasil.

Queremos que se sintam como se estivessem em suas casas. Os imigrantes fizeram do Brasil um pouco japonês. Não é só uma relação de amizade, mas de parentesco. Os japoneses ajudaram a construir o Brasil que temos hoje - disse Dilma, que citou a presença dos japoneses em várias atividades do país.

Dilma Rousseff afirmou ainda que há espaço para revitalização das relações entre os dois países e que a comitiva japonesa encontra um Brasil "economicamente sólido" e com com desenvolvimento social. Shinjo Abe lembrou que 1,6 milhão de descendentes de japoneses vivem no Brasil e seus familiares frequentam o país desde a década de 50. São três gerações de família (que visita o Brasil). É muito emocionante para mim - disse o premiê japonês.

Abe citou o churrasco como exemplo da presença brasileira no Japão, se referindo a disseminação de churrascarias naquele país. O primeiro-ministro citou as parcerias com o Brasil nas áreas naval, de tecnologia e de esporte. Shinjo Abe lamentou a desclassificação japonesa da Copa do Mundo ainda na primeira fase do Mundial.

O Japão não foi para as oitavas (segunda fase da Copa). E por isso os japoneses não puderam ficar no Brasil por muito tempo - disse Abe, que citou as Olimpíadas de 2016, no Rio, como nova oportunidade da presença de japoneses no Brasil. E depois teremos as Olimpíadas de Tóquio, em 2020, quando muitos brasileiros estarão lá. A expectativa do governo japonês é que a presidente visite o país em breve. Dilma iria ao Japão no ano passado, mas cancelou a visita por causa das manifestações que tomaram conta do país.

Neste sábado, o primeiro-ministro irá para São Paulo, onde terá encontros com a comunidade nipo-brasileira e participará de evento empresarial. O chefe de estado se encontrou ainda com Dunga, o técnico da seleção brasileira. As relações Brasil-Japão completarão 120 anos em 2015. O Japão é o mais tradicional parceiro do Brasil na Ásia e sexto sócio comercial no mundo. Em 2013, o comércio bilateral entre Brasil e Japão foi de US$ 15 bilhões.


FonteO Globo BrasíliaFotoAilton de Freitas / O Globo
Dilma e primeiro-ministro do Japão fecham parcerias entre os dois países Dilma e primeiro-ministro do Japão fecham parcerias entre os dois países Reviewed by Walter Rafael Bezerra on 8/02/2014 08:47:00 PM Rating: 5

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