As histórias das tribos indígenas isoladas e civilizadas no Brasil e no mundo

Com costumes, tradições e crenças passadas de geração a geração, hoje com menas intercidades e modificando devido a aproximação com civilização e até mesmo se mo-deificando ao extremo ao ponto de alguns das tribos ficarem civilizados de mais, utilizando até roupas, aparelhos domésticos e até aparelhos telefônicos celular. Mas ainda hoje se tem poucos povos isolados no mundo.  Segunda a Ong A ONG Survival International estima que haja 107 tribos não contatadas no mundo.

Povo Isolados

Bamma da Etiópia  / Foto: Jimmy Nelson
Esses povo são chamados muitas vezes de povos isolados, não contactados, isolados e até mesmo tribos perdidos. Em sua maioria não civilizados, podendo ser muitas vezes agressivos quando importunados ou quando se sentem ameaçados seus valores e seus costumes e até rituais de canibalismo, por isso esses vivem mais nas florestas. A maioria está em Papua Ocidental (parte da ilha de Nova Guiné que pertence à Indonésia), e na Amazônia (incluindo Peru, Equador, Venezuela e Brasil).  Como as tribos isoladas têm baixa imunidade a doenças comuns, 50% a 80% dos seus integrantes podem adoecer e morrer logo após os primeiros contatos.


Segundo Wikipédia, a enciclopédia livre, " Poucos povos têm permanecido totalmente sem contato com a civilização dominante. Ativistas dos direitos indígenas pedem que tais grupos sejam deixados isolados, respeitando-se o seu direito de autodeterminação. A maioria dos povos isolados está localizada em áreas de floresta densa na América do Sul e na Nova Guiné, havendo ainda alguns grupos nas Ilhas Andamão, na Índia. A descoberta da existência desses povos geralmente acontece após encontros, às vezes violentos, com tribos vizinhas ou, casualmente, durante filmagens aéreas."

Em anos recentes, operadores de turismo de aventura têm adotado a controversa prática de organizar excursões que incluem encontrar tribos isoladas.[3] O primeiro contato com o mundo exterior geralmente é um prenúncio de desastre para as tribos isoladas. Em 2006, um documentário da BBC apresentou uma controversa operadora turística especializada em passeios escoltados para a "descoberta" de povos não contactados na Papua Ocidental.

Tribos que mantem as tradições 

Tribo Huli na Nova Guiné / Foto: Jimmy Nelson
Durante três anos, o fotógrafo britânico Jimmy Nelson se aventurou em uma expedição. Seu objetivo? Encontrar a pureza da humanidade nos lugares mais remotos do planeta. Para isso, percorreu 15 países e fotografou 29 tribos diferentes. Cada tribo carrega em si traços culturais autênticos e mantém intactos os valores de seus antepassados: crenças nos deuses, zelo com a família, gratidão e cuidado com a natureza e a vontade de fazer o certo para atingir os objetivos de suas vidas. Da longa jornada de Jimmy Nelson, nasceu o livro Before They Pass Away, com 402 fotografias coloridas e textos em inglês, francês e alemão. O livro pode ser adquirido pela internet por 128 euros.

Em 2009, planejei visitar 31 tribos isoladas e visualmente únicas. Eu queria testemunhar suas tradições já consagradas pelo tempo, entrar em seus rituais e descobrir como o resto do mundo está ameaçando mudar seus comportamentos para sempre. Mais importante, eu queria criar uma ambiciosa estética fotográfica em um documento que pudesse sobreviver ao tempo. Um trabalho que se tornasse um registro étnico insubstituível de um mundo que está rapidamente desaparecendo.

Porta-retratos elegantes e evocativos foram criados com uma câmera 4×5. O motivo de usar negativos tão grandes seria mostrar uma extraordinária visão sobre a vida emocional e espiritual dos últimos povos indígenas do mundo. Ao mesmo tempo, isso exaltaria as diversidades e a criatividade cultural de cada tribo, com seus rostos pintados, corpos modificados, jóias, cabelos extravagantes, idiomas e rituais. (Jimmy Nelson)


Povos isolados do Brasil


No Brasil, esses grupos vivem principalmente ao longo do rio Boia, mas vão até o Maranhão, onde vivem os Awá, uma das últimas tribos nômades das Américas. Estima-se também que ainda haja centenas de Totobiegoso de (um subgrupo dos Ayoreo) isolados, vagando pelo Chaco paraguaio, ameaçados pelos tratores de grandes empresas agro-pecuárias, que reduzem toda a vegetação a pasto. Em uma das Ilhas Andaman, na Índia, os sentineleses são considerados como o povo mais isolado do planeta, vivendo em condições análogas às dos homens do Paleolítico. Seriam cerca de 250 pessoas.

Sabe-se muito pouco sobre os chamados índios isolados - também conhecidos como povos em situação de isolamento voluntário, povos ocultos, povos não-contatados, entre outros. São assim chamados aqueles grupos com os quais a Funai não estabeleceu contato. As informações sobre eles são heterogêneas, transmitidas por outros índios ou por regionais, além de indigenistas e pesquisadores.

A Funai, instituição responsável pela política indigenista do Estado brasileiro, tem um órgão responsável para proteger a região onde são indicadas as referências a esses grupos sem contato: é a Coordenação Geral de Índios Isolados e Recém Contatados (CGIIRC), que confirmou a existência de 28 desses grupos. Em toda a América Latina, o Brasil é o único país a ter um órgão específico para desenvolver políticas de proteção aos isolados. A CGIIRC está organizada em doze Frentes de Proteção Etnoambiental (Juruena, Awa-Guajá, Cuminapanema, Vale do Javari, Envira, Guaporé, Madeira, Madeirinha, Purus, Médio Xingu, Uru-Eu-Wau-Wau e Yanomami), que atuam na Amazônia brasileira,

Em pleno século XXI a grande maioria dos brasileiros ignora a imensa diversidade de povos indígenas que vivem no país. Estima-se que, na época da chegada dos europeus, fossem mais de 1.000 povos, somando entre 2 e 4 milhões de pessoas. Atualmente encontramos no território brasileiro 246 povos, falantes de mais de 150 línguas diferentes.

Os povos indígenas somam, segundo o Censo IBGE 2010, 896.917 pessoas. Destes, 324.834 vivem em cidades e 572.083 em áreas rurais, o que corresponde aproximadamente a 0,47% da população total do país. A maior parte dessa população distribui-se por milhares de aldeias, situadas no interior de 700 Terras Indígenas, de norte a sul do território nacional.

As imagens revelam “uma comunidade próspera e saudável com cestos cheios de mandioca e mamão fresco cultivados em suas roças”, informou a ONG, em nota. Segundo a Survival, a tribo está em perigo por conta da pressão de madeireiros que atuam no Peru. “Autoridades brasileiras acreditam que o influxo de madeireiros está empurrando índios isolados do Peru para o Brasil”.

De acordo com Ariovaldo José dos Santos, chefe substituto da Coordenação-Geral de Índios Isolados da Funai, os indígenas fotografados vivem em uma área sensível. “Eles não estão imunes da ocupação territorial. Os indícios de exploração de madeira e a prospecção de petróleo já são uma pressão exógena que de alguma forma se aproxima dos últimos refúgios onde vivem os indígenas isolados. Dependendo da proximidade, o risco pode ser iminente”, diz ele.

Indignas da Paraíba

Indígenas da Paraíba / Foto: Francisco França / Secom PB

Muito antes da chegada dos portugueses aqui na América e a conseqüente ocupação do território brasileiro, a Paraíba já era habitada por grupos indígenas que ocuparam primeiramente o litoral; pertenciam a grande tribo Cariri e vieram provavelmente da região amazônica. Devido à sua agressividade, foram chamados de tapuias por outros nativos, o que significa inimigos. Por volta de 1500 chegaram novas famílias indígenas, pertencentes à Nação Tupi-Guarani: eram os Potiguaras, emigrados do litoral maranhense e que se situaram na parte norte do litoral paraibano, desde as proximidades da Baía da Traição até os contrafortes da Borborema, de onde moveram guerra aos Cariris; o resultado foi o deslocamento destes últimos, para as regiões sertanejas.

Na época da conquista da Paraíba – segunda metade do século XVI – chegaram outros silvícolas, dessa vez pertencentes à tribo Tabajara, também de origem Tupi-Guarani, mas logo tornaram-se inimigos tradicionais dos Potiguaras, fixando-se na várzea do rio Paraíba.

Na segunda metade do século XVII, a maior parte da população ainda era constituída de índios. O nível de civilização do índio paraibano era considerável. Muitos sabiam ler e conheciam ofícios como a carpintaria. Esses índios tratavam bem os jesuítas e os missionários que lhes davam atenção.

A maioria dos índios estava de passagem do Período Paleolítico para o Neolítico. A língua falada por eles era o tupi-guarani, utilizado também pelos colonos na comunicação com os índios. O tupi-guarani mereceu até a criação de uma gramática elaborada pelo Padre José de Anchieta.

Os índios Cariris se encontravam em maior número que os Tupis e ocupavam uma área que se estendia desde o planalto da Borborema até os limites do Ceará, Rio Grande do Norte e Pernambuco. Os Cariris eram índios que diziam ter vindo de um grande lago. Estudiosos acreditam que eles tenham vindo do amazonas ou da Lagoa Maracaibo, na Venezuela.

A Nação Cariri dividia-se em várias tribos das quais citaremos apenas as que existiam em território paraibano e proximidades. Esses grupos na Paraíba eram os seguintes: Paiacus, Icós, Sucurus, Ariús, Panatis, Canindés, Pegas, Janduis, Bultrins e Carnoiós. Destes, os Tapuias Pegas ficaram conhecidos nas lutas contra os bandeirantes.

Os Tupis habitavam a zona mais próxima ao litoral e estavam divididos em Potiguaras e Tabajaras.

a) Tabajaras: Na época da fundação da Paraíba, os Tabajaras formavam um grupo de aproximadamente cinco mil pessoas. O seu nome indicava que viviam em tabas ou aldeias. Eram sedentários e de fácil convívio. A aliança que firmaram com os portugueses foi de grande proveito para os índios quando da conquista da Paraíba e fundação de João Pessoa.

Todos os aldeamentos ao sul do Cabo Branco pertenciam a indígenas dessa tribo e deram origem a muitas cidades e vilas, como, Aratagui (Alhandra), Jacoca (Conde), Piragibe (João Pessoa), Tibiri (Santa Rita), Pindaúna (Gramame), Taquara, Acaú, Pitimbu. Os Tabajaras parecem ter deixado o território paraibano em 1599.

b) Potiguaras: Eram mais numerosos que os Tabajaras e ocupavam uma pequena região nos limites do Rio Grande do Norte com a Paraíba. Estavam localizados na parte norte do rio Paraíba, curso do rio Mamanguape e serra da Copaoba, foram rechaçados para o Rio Grande do Norte e aldeiamentos na Bahia de Traição, onde ainda hoje se encontram seus remanescentes.

Esses índios locomoviam-se constantemente, deixando aldeias para trás e formando outra. Com esta constante locomoção os índios ocuparam áreas desabitadas. Da serra da Copaoba, para o Sul, excetuando-se as aldeias estabelecidas no litoral, ao que parece, em nenhum ponto se fixaram. Toda a região do Agreste Acatingado que se estende de Guarabira a Pedras de Fogo, passando por Alagoa Grande, Alagonha, Mulungu, Sapé, Gurinhém, desocupada, no dizer de Horácio de Almeida ou assim foi encontrada quando da conquista.

Os Potiguaras eram uma das tribos mais populosas da nação Tupi, desempenharam importante papel na guerra holandesa com cujos povos se aliaram. Anos antes eles também foram aliados dos franceses, que mantinham feitorias no estuário do Paraíba e Baía da Traição (Acejutibiró) e de onde faziam incursões até a serra da Copaoba (Serra da Raiz) para a extração do pau-brasil. Esses índios resistiram feroz e bravamente, desde o início da conquista portuguesa.



Ainda hoje, encontram-se tribos indígenas potiguaras localizadas na Baía da Traição, mas apenas em uma aldeia a São Francisco, onde não há miscigenados, pois a tribo não aceita a presença de caboclos, termo que eles utilizavam para com as pessoas que não pertencem a tribo.Atualmente, as aldeias constituem reservas indígenas mal administradas pelo governo, e suas terras, quase todas, foram griladas por grandes proprietários e usinas da região, mencionando-se a Companhia de Tecidos Rio Tinto, hoje desativada.



As histórias das tribos indígenas isoladas e civilizadas no Brasil e no mundo As histórias das tribos indígenas isoladas e civilizadas no Brasil e no mundo Reviewed by Walter Rafael on 4/20/2016 04:16:00 PM Rating: 5

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